O governo federal oficializou nesta semana uma mudança estratégica no programa Move Brasil, elevando o limite de financiamento para a compra de veículos por motoristas de aplicativo e taxistas. A decisão, publicada em edição extra do Diário Oficial da União, altera o teto anterior de R$ 150 mil para R$ 200 mil. Essa medida busca reaquecer a procura pelo crédito subsidiado, que registrou uma adesão significativamente menor do que a projetada inicialmente pelo Ministério da Fazenda e pelo BNDES, refletindo a necessidade de ajustes nos critérios de acesso para atender melhor à realidade dos profissionais autônomos.
A ampliação do valor máximo dos automóveis elegíveis tem como objetivo principal permitir que os profissionais acessem uma gama maior de modelos, incluindo veículos com tecnologias mais avançadas e maior valor de mercado. Segundo dados do governo, a elevação do teto amplia o alcance potencial do programa de 63% para cerca de 88% do mercado brasileiro de veículos, tomando como base os emplacamentos realizados no ano de 2025. Com isso, espera-se que modelos mais robustos e eficientes passem a fazer parte da frota de transporte individual de passageiros no país.
Desafios na adesão e o papel das instituições financeiras
A reformulação do Move Brasil ocorre após o reconhecimento de que apenas uma pequena fração dos recursos disponíveis foi efetivamente utilizada. De acordo com informações da Folha de S.Paulo, apenas 11% do montante previsto foi liberado nos primeiros meses de operação. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, destacou que, embora os bancos públicos como a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil estejam operando ativamente, as instituições privadas têm demonstrado maior cautela na concessão do crédito, o que motivou o governo a buscar novas formas de incentivo.
O programa conta com um aporte total de R$ 30 bilhões, cujos recursos são oriundos do Tesouro Nacional e repassados ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A finalidade desse montante é equalizar as taxas de juros, cobrindo a diferença entre os valores praticados pelo mercado financeiro tradicional e as taxas reduzidas oferecidas pelo programa governamental. Essa estrutura financeira é fundamental para garantir que o custo do financiamento seja viável para o trabalhador, permitindo que a parcela do veículo caiba no orçamento mensal gerado pelas corridas.
Além do aumento no limite de crédito, a nova portaria incluiu modelos híbridos na lista de veículos financiáveis. Essa inclusão está alinhada às diretrizes da Nova Indústria Brasil (NIB), que prioriza a sustentabilidade e a redução da emissão de poluentes nos centros urbanos. Ao facilitar o acesso a carros menos poluentes e mais econômicos em termos de combustível, o governo espera não apenas apoiar a categoria dos motoristas, mas também avançar nas metas ambientais do setor de transportes, promovendo uma transição energética gradual na mobilidade urbana.
Critérios de elegibilidade e processo de solicitação
Para ter acesso ao benefício, os motoristas de aplicativos devem cumprir requisitos rigorosos de atividade profissional. É necessário possuir um cadastro ativo em plataformas de transporte há pelo menos 12 meses e comprovar a realização de, no mínimo, 100 corridas no período. Um detalhe importante ressaltado pelo portal G1 é que não é permitida a soma de corridas de diferentes aplicativos para atingir essa meta; a pontuação deve ser comprovada em uma única empresa, garantindo a fidelidade e a regularidade do profissional na plataforma escolhida.
No caso dos taxistas, as exigências incluem a apresentação de licença e registro ativos nos órgãos competentes de trânsito, além da comprovação de regularidade fiscal. O programa também é aberto a motoristas que atuam por meio de cooperativas, desde que atendam aos critérios de documentação exigidos. O objetivo é garantir que o subsídio chegue efetivamente àqueles que utilizam o veículo como principal ferramenta de trabalho e fonte de renda, combatendo a precariedade e incentivando a formalização e a segurança no transporte de passageiros.
O processo de solicitação é realizado de forma digital através do portal oficial do governo federal. Após o preenchimento dos dados e envio da documentação necessária, o interessado recebe uma resposta sobre o enquadramento nos pré-requisitos em até cinco dias úteis. Caso aprovado nesta etapa inicial, o motorista deve procurar uma instituição financeira parceira para a análise de crédito propriamente dita. É nesta fase que as condições de pagamento, prazos e garantias são finalizadas entre o banco e o comprador do veículo novo.
Um ponto de atenção para os candidatos é a análise de risco realizada pelos bancos. Embora o programa Move Brasil não exija formalmente o “nome limpo” para a inscrição no portal do governo, as instituições financeiras mantêm a autonomia para recusar propostas baseadas no histórico de crédito do cliente. Isso tem sido apontado por especialistas como um dos principais entraves para a maior disseminação do programa, dado o alto nível de endividamento de parte da categoria autônoma, que muitas vezes encontra dificuldades em superar os filtros bancários tradicionais.
Conforme detalhado pelo site oficial do Governo Federal, a iniciativa faz parte de um pacote mais amplo de mobilidade urbana sustentável. A expectativa é que, com o novo teto de R$ 200 mil, as concessionárias registrem um aumento no fluxo de vendas, especialmente de modelos que antes ficavam de fora da margem de subsídio. A medida fortalece a indústria automobilística nacional e melhora a experiência do usuário final, que passa a contar com veículos mais novos, seguros e confortáveis nas ruas brasileiras.







