O Fluminense escreveu mais um capítulo dramático em sua rica história na Copa Libertadores da América. Na noite desta terça-feira (18), o Tricolor das Laranjeiras enfrentou o Independiente Rivadavia no Estádio Malvinas Argentinas, em Mendoza, e, após um empate por 1 a 1 no tempo normal, garantiu a classificação para as quartas de final na disputa de pênaltis por 5 a 4. O confronto foi marcado por uma montanha-russa de emoções, incluindo uma expulsão no segundo tempo e um gol de empate sofrido nos acréscimos finais da partida.
Domínio territorial e tensão em Mendoza
Desde o apito inicial, o time comandado por Marcão buscou controlar o ritmo do jogo através da posse de bola, tentando neutralizar o ímpeto dos donos da casa. Diferente do jogo de ida no Maracanã, onde a equipe encontrou dificuldades para furar o bloqueio argentino, em Mendoza o Fluminense se mostrou mais confortável com o controle territorial. No entanto, as chances claras de gol foram escassas na primeira etapa, com a melhor oportunidade surgindo em uma finalização de Thiago Silva após cobrança de escanteio de Hulk, que acabou não encontrando o caminho das redes.
O Independiente Rivadavia, ciente de sua condição de azarão, apostou em uma postura reativa, buscando explorar os contra-ataques. A estratégia argentina, embora menos eficiente do que a apresentada no Rio de Janeiro, mantinha a defesa brasileira em alerta constante. O equilíbrio prevaleceu até o intervalo, com o placar zerado refletindo a cautela de ambas as equipes em um duelo de eliminação direta onde qualquer erro poderia ser fatal.
A expulsão de Canobbio e a resposta de Serna
O cenário da partida mudou drasticamente no segundo tempo quando Canobbio recebeu o segundo cartão amarelo e foi expulso, deixando o Fluminense com um jogador a menos. A desvantagem numérica obrigou o Tricolor a se retrair e apostar na velocidade para surpreender o adversário. Segundo informações do portal UOL Esporte, a equipe precisou demonstrar resiliência tática para suportar a pressão crescente dos argentinos, que se lançaram ao ataque aproveitando a superioridade numérica.
Mesmo acuado, o Fluminense encontrou o caminho do gol aos 30 minutos da etapa final. Em um lançamento magistral de Hércules, Kevin Serna infiltrou-se nas costas da defesa argentina e, com um toque sutil na saída do goleiro, abriu o placar para os brasileiros. O gol parecia selar a classificação direta, premiando a eficiência de um time que soube sofrer e golpear no momento exato, calando momentaneamente a torcida local em Mendoza.
O drama dos acréscimos e a polêmica do VAR
Quando a vitória parecia consolidada, o drama típico da Libertadores deu as caras. Já nos acréscimos, aos 47 minutos, o árbitro de vídeo (VAR) recomendou a revisão de um lance na área tricolor. Após a análise, foi assinalado um pênalti polêmico a favor do Independiente Rivadavia. Alex Arce, artilheiro da equipe argentina, assumiu a responsabilidade e converteu a cobrança aos 50 minutos, levando a decisão para as penalidades máximas e incendiando o estádio.
A frustração pelo gol sofrido no último suspiro poderia ter abalado o psicológico dos jogadores brasileiros, mas o que se viu foi uma demonstração de frieza. Conforme relatado pelo Metrópoles, o Fluminense manteve o foco para a série de cobranças, confiando no retrospecto e na experiência de seus batedores e, principalmente, na envergadura de seu goleiro veterano sob as traves.
Fábio: O herói da classificação
Na marca da cal, o brilho de Fábio foi determinante. O goleiro, que já acumula marcas históricas na competição, defendeu duas cobranças dos argentinos, garantindo a vantagem necessária para o Fluminense. Pelo lado tricolor, Thiago Silva, Renê, Hércules, Martinelli e Guga converteram suas penalidades com precisão, selando a vitória por 5 a 4. A atuação de Fábio foi exaltada pela crítica especializada como o fator de desequilíbrio que permitiu ao atual campeão seguir vivo na busca pelo bicampeonato.
A classificação também traz um alívio financeiro e esportivo importante para o clube. De acordo com o site Terra, o Fluminense sobreviveu ao drama em solo argentino e agora aguarda a definição de seu próximo adversário, que sairá do confronto entre Coquimbo Unido, do Chile, e Platense, da Argentina. A vaga nas quartas de final mantém o Brasil com representação forte na fase aguda do torneio continental.
Próximos passos e foco no Brasileirão
Com a vaga garantida, o Fluminense agora vira a chave para as competições domésticas. O time volta ao Rio de Janeiro para se preparar para o próximo compromisso pelo Campeonato Brasileiro, onde busca subir na tabela e consolidar o bom momento sob o comando de Marcão. A confiança adquirida com uma classificação tão sofrida e emblemática fora de casa deve servir de combustível para a sequência pesada de jogos que a equipe terá pela frente no mês de agosto.
A torcida tricolor, que acompanhou apreensiva cada minuto da batalha em Mendoza, agora celebra a resiliência de um elenco que, mesmo com um jogador a menos durante boa parte do segundo tempo, não se entregou. O sonho da “Glória Eterna” continua vivo para o Fluminense, que se consolida como um dos favoritos a chegar novamente à grande final, apostando na mescla entre a experiência de veteranos como Fábio e Thiago Silva e a juventude de seus novos talentos.







