Uma trajetória que se confunde com a história da TV
O Brasil perdeu nesta terça-feira (18) uma de suas figuras mais emblemáticas. Glória Menezes, cujo nome de batismo era Nilcedes Soares de Magalhães, faleceu aos 91 anos em sua casa, no Rio de Janeiro. A notícia, confirmada pela assessoria da artista e por familiares, como noticiado pela CNN Brasil, gerou uma onda de comoção nacional, marcando o fim de uma era para a dramaturgia brasileira.
Nascida em Pelotas, no Rio Grande do Sul, em 1934, Glória iniciou sua carreira artística no final da década de 1950, em um período em que a televisão brasileira ainda dava seus primeiros passos. Sua estreia na TV ocorreu em 1959, com a novela “Um Lugar ao Sol”, na TV Tupi, dando início a uma trajetória que atravessaria mais de 60 anos de dedicação ininterrupta à arte de interpretar.
Ao longo de sua carreira, Glória Menezes consolidou-se como uma das atrizes mais versáteis e respeitadas do país. Ela foi pioneira ao protagonizar a primeira novela diária da televisão brasileira, “2-5499 Ocupado”, em 1963, onde contracenou com Tarcísio Meira. Esse encontro profissional transformou-se em uma das histórias de amor mais longevas e admiradas do meio artístico, com o casal permanecendo unido por quase seis décadas até o falecimento de Tarcísio em 2021.
A filmografia e a lista de trabalhos televisivos de Glória são vastas, somando mais de 40 novelas, além de atuações memoráveis no cinema e no teatro. Entre seus papéis mais marcantes, destacam-se atuações em produções como “Irmãos Coragem” e “Rainha da Sucata”, onde demonstrou sua capacidade de transitar entre o drama e a comédia com maestria, conquistando gerações de espectadores.
Como apontado pelo portal G1, a repercussão da morte da atriz foi imediata, com inúmeros colegas de profissão, amigos e personalidades públicas prestando homenagens à sua contribuição inestimável para a cultura brasileira. Sua presença em cena era marcada por um carisma singular e uma técnica apurada, que a tornaram uma referência absoluta para novos atores.
Além de sua atuação na televisão, Glória também deixou sua marca no cinema, sendo protagonista de “O Pagador de Promessas”, o único filme brasileiro a conquistar a Palma de Ouro no Festival de Cannes. Esse feito internacional reforçou seu status como uma das maiores atrizes da história do país, elevando o patamar da produção cultural brasileira no cenário mundial.
Nos últimos anos, mesmo com a redução do ritmo de trabalho, Glória continuou sendo uma figura querida pelo público. Sua última participação em novelas ocorreu em “Totalmente Demais” (2015-2016), onde interpretou a socialite Stelinha, provando que seu talento permanecia intacto e capaz de encantar o público contemporâneo. A atriz estava, segundo informações, debilitada devido à idade avançada.
A morte de Glória Menezes, conforme reportado pelo Terra, deixa um vazio imenso na dramaturgia. Ela deixa três filhos: João Paulo Brito, Maria Amélia Brito e o ator Tarcísio Filho, além de netos e bisnetos. A família, que esteve ao seu lado em seus momentos finais, ainda não divulgou detalhes sobre o velório e o sepultamento.
O legado de Glória Menezes transcende os personagens que interpretou. Ela foi uma das fundadoras da linguagem da teledramaturgia no Brasil, ajudando a moldar o formato que hoje é um dos principais produtos de exportação cultural do país. Sua dedicação e profissionalismo serviram de alicerce para a construção da identidade da televisão brasileira.
O Brasil se despede hoje de uma verdadeira “primeira-dama da TV”. Glória Menezes não apenas interpretou histórias; ela ajudou a escrever a história da televisão brasileira, deixando um exemplo de resiliência, talento e amor pela arte que será lembrado por muitas gerações futuras.







