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Estrategista alerta: Tarifaço de Trump e déficit fiscal ameaçam Brasil

O renomado estrategista global Ruchir Sharma, presidente da Rockefeller International, emitiu um alerta contundente sobre o futuro econômico do Brasil. Segundo o analista, o país caminha para um período de extrema vulnerabilidade, impulsionado por uma combinação perigosa de fatores externos e internos. A principal preocupação reside na implementação de políticas protecionistas agressivas pelos Estados Unidos, sob a gestão de Donald Trump, somada à incapacidade crônica do governo brasileiro em controlar o déficit fiscal.

Sharma destaca que o Brasil chega à eleição de 2026 em uma posição delicada. Diferente de outros momentos de crise, a margem para erros na condução da política econômica é praticamente inexistente. O estrategista aponta que investidores globais estão cada vez mais seletivos e que a complacência com o desequilíbrio das contas públicas pode resultar em uma fuga de capital sem precedentes, desvalorizando o real e pressionando a inflação.

O cenário externo é agravado pelo chamado “tarifaço” de Trump. As medidas, que visam proteger a indústria norte-americana, atingem em cheio as exportações brasileiras. Setores estratégicos como o de máquinas, calçados e móveis já sentem o peso das novas alíquotas, que em alguns casos chegam a 50%. Essa barreira comercial reduz a entrada de dólares no país, dificultando o fechamento das contas externas e limitando o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).

Em entrevista recente à BBC Brasil, Sharma enfatizou que as políticas econômicas atuais são vistas com ceticismo pelo mercado internacional. Ele argumenta que o Brasil não tem conseguido aproveitar as oportunidades globais devido à sua fragilidade fiscal. Para o analista, o país está “preso” em um ciclo de baixo crescimento e alta dívida, o que o torna um alvo fácil para choques externos.

O impacto do protecionismo norte-americano

A ofensiva comercial dos Estados Unidos não é apenas uma questão de números, mas de geopolítica. O governo Trump tem utilizado as tarifas como ferramenta de pressão para alinhar parceiros comerciais aos seus interesses. No caso do Brasil, o aumento da tarifa efetiva sobre produtos nacionais, que saltou de 11% para quase 18%, conforme reportado pelo G1, coloca o país em uma situação de desvantagem competitiva frente a outros emergentes.

Especialistas apontam que essa guerra tarifária empurra o Brasil para uma dependência ainda maior da China. Embora o gigante asiático continue sendo o principal parceiro comercial brasileiro, a concentração das exportações em poucas commodities, como soja e minério de ferro, é vista como um risco estrutural. Se a economia chinesa desacelerar, o Brasil perderá seu principal motor de crescimento, sem ter o mercado americano como alternativa viável.

Além disso, a incerteza gerada pelas tarifas afeta o planejamento das empresas brasileiras. Muitas indústrias que viam nos EUA um mercado de expansão agora precisam rever seus investimentos. O custo de adaptação a novos mercados é alto e demorado, o que pode resultar em demissões e queda na produção industrial no curto prazo, agravando o cenário de estagnação econômica.

A resposta do governo brasileiro a esse desafio tem sido monitorada de perto. A tentativa de negociar isenções ou recorrer a organismos internacionais esbarra na postura “maximalista” de Washington. Sem concessões significativas, o Brasil se vê obrigado a buscar novos parceiros na Ásia e na Europa, um processo que exige reformas internas para aumentar a produtividade e a competitividade dos produtos nacionais.

Desafios fiscais e a corrida contra o tempo

Internamente, o grande vilão continua sendo o déficit fiscal. A dívida pública brasileira superou a marca de 81% do PIB, um nível considerado alarmante para uma economia emergente. O mercado financeiro projeta que, sem um ajuste rigoroso nas despesas, o déficit nominal pode se aproximar de 10% do PIB. Essa trajetória é insustentável e eleva o prêmio de risco exigido pelos investidores para financiar o governo.

A manutenção da taxa Selic em patamares elevados é uma consequência direta dessa desconfiança. Com juros altos, o custo de rolagem da dívida aumenta, criando um efeito bola de neve. O Valor Econômico destaca que a incerteza sobre a situação fiscal é o principal entrave para a queda das taxas de longo prazo, o que encarece o crédito para empresas e consumidores.

Sharma alerta que o Brasil está perdendo a oportunidade de se destacar entre os emergentes. Enquanto países como Índia e Vietnã atraem investimentos produtivos, o Brasil luta para manter a estabilidade macroeconômica básica. A percepção de que o país é “fiscalmente frágil” afasta o capital de longo prazo, deixando a economia à mercê da volatilidade dos fluxos financeiros de curto prazo.

Em conclusão, o alerta de Ruchir Sharma serve como um chamado à realidade para os formuladores de políticas em Brasília. O caminho para 2026 será marcado por turbulências externas e a necessidade urgente de reformas estruturais. Sem um compromisso claro com a responsabilidade fiscal e uma estratégia inteligente para lidar com o protecionismo global, o Brasil corre o risco de enfrentar uma década perdida, com baixo crescimento e desigualdade persistente.

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