Ajustes estratégicos para impulsionar a renovação da frota
O governo federal anunciou, nesta semana, uma mudança significativa nas diretrizes do programa Move Brasil, elevando o limite de financiamento para a compra de veículos de R$ 150 mil para R$ 200 mil. A medida, oficializada por meio de uma portaria publicada em edição extra do Diário Oficial da União, surge como uma resposta direta à baixa procura registrada desde o lançamento da iniciativa, em maio deste ano. O objetivo central é tornar o programa mais competitivo e acessível, permitindo que profissionais do transporte individual possam adquirir modelos mais modernos, seguros e sustentáveis.
Segundo dados do governo, a elevação do teto de preço dos veículos amplia o alcance potencial do programa de 63% para 88% do mercado brasileiro de automóveis, considerando os emplacamentos realizados em 2025. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, reconheceu que, apesar da garantia oferecida pelo Tesouro Nacional, a adesão por parte dos bancos privados tem sido tímida, enquanto as instituições públicas têm liderado as operações de crédito. A expectativa é que, com o novo limite, a demanda cresça significativamente nos próximos meses.
Critérios de elegibilidade e funcionamento do programa
Para ter acesso aos R$ 30 bilhões em crédito disponibilizados pelo Tesouro Nacional e operados pelo BNDES, os motoristas de aplicativo precisam cumprir requisitos específicos. É obrigatório possuir cadastro ativo na plataforma há pelo menos 12 meses e ter realizado um mínimo de 100 corridas no mesmo aplicativo durante esse período. Vale ressaltar que não é permitida a soma de corridas entre diferentes plataformas, como Uber e 99, para atingir a meta exigida.
No caso dos taxistas, a exigência inclui a apresentação de licença e registro ativo nos órgãos de trânsito competentes, além da comprovação de regularidade fiscal. Motoristas que atuam por meio de cooperativas também estão contemplados pelas novas regras. O processo de adesão é realizado de forma digital, através do portal oficial do governo, com um prazo de resposta de até cinco dias úteis para a análise dos pré-requisitos.
Além da ampliação do limite de valor, o programa passou a incluir novos tipos de veículos híbridos entre os elegíveis, reforçando o compromisso com a sustentabilidade energética. A iniciativa busca alinhar a renovação da frota nacional às metas da Nova Indústria Brasil (NIB), incentivando o uso de tecnologias menos poluentes. A medida também permite, em condições específicas, a aquisição de veículos seminovos, conforme atualizações recentes feitas pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
Apesar de o nome limpo não ser uma exigência mandatória do programa federal, o governo alerta que as instituições financeiras parceiras podem adotar critérios próprios de análise de risco. Portanto, a aprovação final do crédito depende da política interna de cada banco. O governo continua em diálogo com o setor bancário para entender os gargalos que impedem uma adesão mais robusta e garantir que o recurso chegue, de fato, à ponta final: o trabalhador que utiliza o veículo como ferramenta de sustento.
A renovação da frota é vista como uma estratégia essencial para reduzir o consumo de combustíveis e melhorar a eficiência do transporte urbano. Com a nova portaria, o governo espera que a maior flexibilidade no valor dos veículos atraia um público que antes estava limitado a modelos de entrada, permitindo a escolha de carros mais equipados e adequados às longas jornadas de trabalho diárias.
O sucesso do Move Brasil é acompanhado de perto pela equipe econômica, que vê no programa uma forma de estimular a indústria automobilística nacional enquanto oferece melhores condições de trabalho para a categoria. A expectativa é que, com a divulgação das novas regras, o volume de financiamentos contratados apresente uma curva ascendente até o final do ano, consolidando o programa como um pilar importante da política de mobilidade urbana do país.







